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Paralisia cerebral e cannabis medicinal: por que o cuidado multidisciplinar é o caminho

há 12 minutos
3 min de leitura

É comum que famílias de crianças com paralisia cerebral cheguem a um ponto em que já testaram fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, órteses, e ainda assim buscam mais uma peça que ajude no dia a dia. Nessa busca, é cada vez mais frequente encontrar relatos sobre cannabis medicinal.

A pergunta que fica é: o que a ciência realmente já sabe sobre cannabis medicinal para paralisia cerebral, e onde ela se encaixa em um cuidado que já é, por natureza, feito de várias frentes trabalhando juntas?

mulher loira segurando frasco do CBD

Por que o cuidado da paralisia cerebral já nasce multidisciplinar

A paralisia cerebral é uma condição neurológica que afeta o movimento e a postura, causada por uma alteração no desenvolvimento do cérebro que ocorre antes, durante ou logo após o nascimento. Cada criança apresenta um quadro diferente, o que torna o acompanhamento sempre individualizado.

Por isso, o tratamento nunca depende de um único profissional. Neurologista, fisiatra, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo e, em muitos casos, ortopedista compõem uma equipe que acompanha a criança ao longo de toda a infância e adolescência. Hoje, dia 8 de setembro, é o Dia Mundial da Fisioterapia, uma boa data para lembrar o quanto esse trabalho constante de ganho de movimento, força e funcionalidade é a base do cuidado, não um complemento dele.


O que é a espasticidade e por que ela é um dos maiores desafios

Uma das manifestações mais comuns da paralisia cerebral é a espasticidade: um aumento involuntário do tônus muscular, que deixa os músculos mais rígidos e dificulta o movimento. Ela pode causar dor, limitar a amplitude de movimento das articulações e tornar tarefas simples, como vestir uma roupa ou se posicionar na cadeira, mais trabalhosas para a criança e para quem cuida dela.

Controlar a espasticidade é, então, um dos principais focos do tratamento multidisciplinar, e é justamente sobre esse ponto que a pesquisa envolvendo canabinoides tem avançado nos últimos anos.


O que os estudos já mostram sobre cannabis medicinal para paralisia cerebral

A pesquisa sobre cannabis medicinal para paralisia cerebral vem crescendo, e já existem sinais que despertam interesse da comunidade científica. Um estudo aberto sugeriu melhora em espasticidade e distonia com o uso de canabinoides em crianças e adolescentes, resultado que já motiva pesquisas maiores para confirmação.

Uma revisão sistemática publicada em 2023 na revista científica einstein (São Paulo), ligada ao Hospital Israelita Albert Einstein, reuniu os estudos disponíveis sobre o tema, avaliando efeitos sobre espasticidade, função motora, dor, sono e crises epilépticas, e concluiu que a segurança geral do uso foi considerada boa. Os autores também destacaram que o campo segue em construção, com estudos maiores a caminho para consolidar os resultados.

Vale registrar que nem todos os estudos encontraram o mesmo padrão de resposta: um ensaio clínico controlado não observou melhora da espasticidade em um grupo avaliado ao longo de 12 semanas, o que ajuda a explicar por que a pesquisa segue avançando e por que a decisão de uso continua sendo sempre conversada com o médico responsável, caso a caso.

Vale lembrar também que uma parte das crianças com paralisia cerebral convive com epilepsia, condição em que a cannabis medicinal já tem reconhecimento científico mais consolidado internacionalmente.


mão segurando frasco com cor amarelada


Como o canabidiol se encaixa nesse cuidado

O canabidiol pode, em alguns casos e após avaliação médica individualizada, ser considerado como mais uma ferramenta dentro do plano terapêutico já existente, ao lado da fisioterapia, da terapia ocupacional e do acompanhamento neurológico, nunca como substituto de qualquer uma dessas frentes. Essa avaliação cabe sempre à equipe médica que já acompanha a criança, com o neurologista à frente da decisão sobre incluir ou não o canabidiol no plano de cuidado.

Essa lógica é especialmente importante na paralisia cerebral: o ganho funcional de longo prazo continua dependendo, sobretudo, do trabalho constante de reabilitação. Nenhuma substância isolada substitui isso.


Informação também é cuidado

Neste Dia Mundial da Fisioterapia, vale reforçar que cuidar de uma criança com paralisia cerebral é um trabalho contínuo, feito de pequenos avanços conquistados por uma equipe inteira ao longo do tempo, e a pesquisa sobre cannabis medicinal nessa área segue avançando junto.

Na ABINS, acreditamos que informação clara sobre o que a ciência já confirma, e sobre o que ainda está em estudo, ajuda famílias a fazer perguntas melhores para a equipe médica que acompanha seus filhos. Nosso papel é justamente ajudar pacientes e familiares a entender esse universo com mais segurança.

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