top of page

Dor crônica no inverno: o frio realmente piora os sintomas?

Essa é uma das dúvidas mais frequentes entre pacientes com fibromialgia, artrite, osteoartrite, esclerose múltipla e outras condições dolorosas.

Curiosamente, a ciência ainda não encontrou uma resposta definitiva.

Algumas pesquisas mostram que determinadas pessoas realmente relatam piora dos sintomas em dias frios ou úmidos.

Outros estudos, porém, não encontraram uma relação consistente entre clima e intensidade da dor.


mulher loira segurando frasco do CBD

O inverno modifica o comportamento das pessoas

Nessa época do ano é comum:

  • permanecer mais tempo em ambientes fechados;

  • praticar menos atividade física;

  • receber menos luz solar;

  • alterar horários de sono;

  • reduzir o contato com atividades ao ar livre.

Essas mudanças influenciam diretamente o funcionamento do organismo e podem contribuir para aumentar a percepção da dor.

Em outras palavras: muitas vezes não é apenas o frio que muda.

É toda a rotina.

O sono influencia diretamente a percepção da dor

Dormir bem é uma das ferramentas mais importantes para quem convive com dor crônica.

Durante o sono, o organismo realiza processos fundamentais para recuperação muscular, equilíbrio hormonal e modulação da resposta inflamatória.

Além disso, o cérebro reorganiza informações e regula a forma como interpreta diferentes estímulos, incluindo os dolorosos.

Quando o sono é insuficiente ou de baixa qualidade, ocorre um aumento da sensibilidade à dor.

Isso significa que um estímulo que normalmente seria suportável pode passar a ser percebido com maior intensidade.

No inverno, essa situação pode se agravar.

Dias mais curtos, menor exposição à luz natural e alterações no ritmo circadiano podem modificar o horário de dormir e reduzir a qualidade do descanso.

Por isso, não é raro que pessoas com dor crônica relatem piora dos sintomas justamente após períodos de sono inadequado.


Menos exposição ao sol também pode afetar o organismo

Outro aspecto pouco lembrado é a redução da exposição solar.

Durante o inverno, passamos menos tempo ao ar livre e recebemos menos luz natural.

Isso interfere em diversos mecanismos do organismo.

A luz solar participa da regulação do ritmo circadiano, influencia a produção de melatonina e contribui para o equilíbrio do humor.

Além disso, a exposição solar está relacionada à produção de vitamina D, nutriente importante para a saúde óssea e muscular.

Embora a deficiência de vitamina D não explique, sozinha, a dor crônica, manter níveis adequados faz parte de uma estratégia global de cuidado.

Mais do que isso, pessoas que permanecem menos tempo expostas ao sol costumam apresentar menor disposição para atividades físicas e maior tendência ao isolamento, fatores que também podem influenciar a percepção da dor.


O inverno favorece o sedentarismo

Outro comportamento típico dessa estação é a redução dos movimentos.

É natural que temperaturas mais baixas desestimulem caminhadas, exercícios e até pequenos deslocamentos.

Mas permanecer muito tempo parado pode gerar um efeito contrário ao esperado.

Músculos ficam mais rígidos.

As articulações perdem mobilidade.

A circulação diminui.

Com isso, muitas pessoas acabam percebendo aumento da dor e da sensação de travamento do corpo.

Diversas diretrizes para dor crônica reforçam que manter-se ativo, dentro das possibilidades de cada paciente, continua sendo uma das medidas mais importantes para preservar a funcionalidade e reduzir sintomas.

Isso não significa praticar exercícios intensos.

Em muitos casos, caminhadas leves, alongamentos e fisioterapia já fazem diferença.


Espasticidade também pode piorar durante o inverno

Pacientes com doenças neurológicas frequentemente relatam alterações na espasticidade durante mudanças de temperatura.

A espasticidade é caracterizada pelo aumento involuntário do tônus muscular, provocando rigidez, dificuldade para movimentar membros e limitação funcional.

Ela pode estar presente em condições como:

  • esclerose múltipla;

  • paralisia cerebral;

  • lesão medular;

  • acidente vascular cerebral (AVC).

Embora a resposta varie entre cada pessoa, temperaturas mais baixas podem aumentar a sensação de rigidez muscular em alguns pacientes.

Isso pode tornar atividades simples mais difíceis e contribuir para uma percepção maior da dor.

Por esse motivo, manter acompanhamento médico regular é importante para avaliar se o tratamento continua adequado durante todo o ano.


mão segurando frasco com cor amarelada


Onde a cannabis medicinal entra nessa conversa?

Nos últimos anos, a cannabis medicinal passou a fazer parte do tratamento de muitos pacientes com dor crônica e espasticidade.

Mas é importante compreender seu papel.

O objetivo da cannabis medicinal não é tratar o inverno.

Ela também não deve ser utilizada apenas porque as temperaturas diminuíram.

Na prática, o inverno costuma evidenciar sintomas que já existiam.

Quando a dor passa a limitar mais a rotina, prejudicar o sono ou aumentar a rigidez muscular, pode ser o momento de reavaliar todo o plano terapêutico.

Dependendo da condição clínica, da resposta aos tratamentos convencionais e da avaliação médica, produtos à base de cannabis podem fazer parte dessa estratégia.

O tratamento sempre deve ser individualizado e acompanhado por um profissional habilitado.


Como reduzir o impacto do inverno na dor crônica?

Embora não seja possível controlar a temperatura, alguns hábitos ajudam o organismo a enfrentar melhor essa época do ano.

Manter uma rotina regular de sono continua sendo uma das medidas mais importantes.

Sempre que possível, vale aproveitar períodos de luz natural para caminhar ou realizar atividades ao ar livre.

Também é recomendado evitar longos períodos de inatividade, manter a hidratação e seguir corretamente o tratamento já prescrito.

Pequenas adaptações na rotina costumam produzir resultados mais consistentes do que mudanças radicais.

O mais importante é compreender que cuidar da dor vai muito além do medicamento.

Sono, movimento, alimentação, saúde emocional e acompanhamento profissional fazem parte do mesmo processo.


O inverno pode ser um sinal de que é hora de reavaliar o tratamento

Se a dor passou a interferir mais no sono, no trabalho, na mobilidade ou na qualidade de vida durante os meses frios, talvez o problema não seja apenas a estação do ano.

Pode ser um indicativo de que o tratamento precisa ser revisto.

Em alguns casos, ajustes na fisioterapia, na atividade física ou nas medicações já são suficientes.

Em outros, novas alternativas terapêuticas podem ser consideradas.

O importante é não aceitar a piora da dor como algo inevitável.

Conviver com dor crônica não significa deixar de buscar qualidade de vida.


Informação também é cuidado

O inverno pode trazer desafios para quem convive com dor crônica, mas compreender os fatores que influenciam os sintomas é o primeiro passo para enfrentá-los de forma mais consciente.

Mais do que o frio, alterações no sono, na exposição ao sol, na rotina e na atividade física podem modificar a forma como o organismo percebe a dor.

Na ABINS, acreditamos que informação baseada em evidências também faz parte do tratamento.

Quanto mais pacientes e familiares entendem o funcionamento do corpo, mais preparados estão para tomar decisões junto aos profissionais de saúde e construir um cuidado seguro, individualizado e contínuo.

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
Mesa de trabajo 1_300x.png

Copyright© 2023 - ABINS / Associação Brasileira de Incentivo à Saúde - Todos os direitos reservados.

bottom of page