Por que o custo da cannabis medicinal é alto? Uma análise completa do mercado, produção e acesso no Brasil
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Por que o custo da cannabis medicinal é alto? Uma análise completa do mercado, produção e acesso no Brasil

O uso medicinal da cannabis cresceu de forma expressiva nos últimos anos, mas o preço dos produtos ainda é um dos maiores obstáculos para pacientes e famílias. Em muitos casos, o custo mensal pode ultrapassar o valor de outros tratamentos tradicionais, o que levanta uma dúvida comum: por que a cannabis medicinal ainda é tão cara no Brasil?

A resposta envolve fatores econômicos, regulatórios, produtivos e logísticos. Nesta análise, você vai entender como cada etapa da cadeia influencia o preço e como as novas regras da Anvisa, aprovadas em 2026, podem transformar esse cenário.

mulher loira segurando frasco do CBD

A cannabis medicinal começa cara porque tudo começa do zero no Brasil

Por muitos anos, o país proibiu pesquisa, cultivo e produção de cannabis para fins medicinais. Isso atrasou o desenvolvimento tecnológico e empurrou o mercado brasileiro para a dependência de produtos importados.

Mesmo com avanços recentes, a cadeia produtiva nacional ainda está em construção. Isso significa que o Brasil depende de matéria-prima estrangeira, tecnologia importada, laboratórios de alto padrão e especialistas ainda escassos. Quando um país não produz, ele paga mais caro. E é exatamente isso que acontece no Brasil.


A importação encarece cada etapa do processo

Grande parte dos produtos de cannabis chega ao Brasil por meio de um processo longo, que envolve autorização prévia, inspeção sanitária, taxas alfandegárias, logística internacional e variação cambial. Tudo que cruza fronteiras se torna mais caro, especialmente quando exige controle rigoroso.

No caso da cannabis medicinal, cada lote precisa ser analisado, testado e legalizado antes de chegar ao paciente, tornando a operação mais lenta e mais custosa do que a de outros medicamentos já produzidos no país.


Produzir cannabis medicinal é complexo e exige tecnologia avançada

Mesmo quando produzida em território nacional, a cannabis medicinal exige processos especializados. O cultivo precisa ocorrer em ambientes controlados, com iluminação específica, temperatura e umidade monitoradas, além de ausência total de fungos e contaminantes.

Após o cultivo, vem a etapa laboratorial, onde a extração dos canabinoides acontece com sistemas de alta precisão capazes de separar componentes, padronizar concentrações e garantir pureza. Quanto maior o rigor, maior o custo operacional — especialmente em uma indústria que ainda está nascendo no Brasil.


Impostos continuam elevados e impactam o preço final

O Brasil aplica carga tributária alta sobre importação, industrialização e circulação de produtos, incluindo itens à base de cannabis medicinal. Enquanto países como Canadá, Israel e diversos estados americanos reduzem impostos para estimular a produção e o acesso, o Brasil ainda trata muitos insumos como produtos comuns, e não como medicamentos essenciais.

Essa tributação contribui de forma significativa para o preço final.


A falta (agora parcial) de cultivo nacional sempre foi um dos maiores fatores de custo

Até janeiro de 2026, o Brasil não permitia cultivo comercial da cannabis para fins medicinais. Isso mantinha o país totalmente dependente de insumos internacionais, deixando preços elevados e impedindo concorrência real.

Essa ausência de produção interna era considerada o principal gargalo do setor.



mão segurando frasco com cor amarelada


A grande mudança: a Anvisa aprova o cultivo nacional em 2026

Em janeiro de 2026, a Anvisa aprovou uma nova resolução histórica permitindo que empresas autorizadas cultivem cannabis medicinal em território brasileiro

Isso marca o início de uma nova fase para o mercado.


A resolução inclui:

• autorização para cultivo com monitoramento sanitário; • regras claras de rastreabilidade; • limites técnicos para produção (como controle de THC); • possibilidade de ampliar pesquisa, desenvolvimento e fabricação nacional; • participação de laboratórios farmacêuticos, centros de pesquisa e empresas especializadas.

Essa mudança corrige uma lacuna de décadas e abre caminho para a redução gradual dos custos.


O que essa mudança representa na prática?

A produção deixa de depender exclusivamente de importação. A indústria passa a ter previsibilidade, o que atrai investimento e inovação. Novas empresas entram no mercado, aumentando a concorrência. A tendência é que, com o tempo, o preço final para o paciente comece a cair.

É uma virada histórica, mas seus efeitos serão percebidos de maneira gradual, ao longo dos próximos anos.


A demanda cresce, mas a oferta ainda está se ajustando

O interesse pelos derivados da cannabis cresceu muito nos últimos anos. Mais pacientes buscam alternativas terapêuticas, porém o número de empresas autorizadas ainda não acompanha essa procura.

Um mercado com muita demanda e pouca oferta inevitavelmente gera preços altos. O setor ainda está se organizando para atender um público que cresce mais rápido do que a estrutura disponível.


A barreira econômica gera desigualdade de acesso

Mesmo com avanços, muitos brasileiros ainda dependem de judicialização, associações, cultivo doméstico autorizado ou doações eventuais.

A falta de acesso pode comprometer o tratamento, especialmente para condições como epilepsia refratária, autismo (TEA), dor crônica e doenças neurodegenerativas.

Esse cenário reforça que o problema não é o paciente. É o sistema, que ainda está amadurecendo.


O que pode tornar a cannabis medicinal mais acessível nos próximos anos

Com as novas regras da Anvisa, o cenário é promissor. O preço pode diminuir com:

• produção nacional regulamentada; 

• entrada de novas empresas; 

• redução da dependência de importação; 

• ampliação de pesquisa e desenvolvimento; 

• mudanças tributárias futuras; 

• distribuição mais ampla via programas públicos.

Estamos no início de uma transição que tende a tornar o tratamento mais justo e acessível.


Caminhos possíveis enquanto o mercado amadurece

Enquanto todas essas mudanças não chegam completamente ao dia a dia, pacientes ainda podem recorrer a alternativas como produtos nacionais regulamentados, programas municipais de fornecimento, orientação médica para otimizar doses e apoio de organizações especializadas.

Navegar esse tema sozinho pode ser difícil, mas informação e suporte tornam tudo mais seguro e acolhedor.


A ABINS acredita que ninguém deveria enfrentar isso sem apoio

Se você deseja entender melhor o custo do tratamento, explorar opções acessíveis ou receber orientação segura sobre cannabis medicinal, nossa equipe está aqui para ajudar com responsabilidade e acolhimento.




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