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O que um novo estudo brasileiro mostra sobre canabidiol e sociabilidade no autismo

há 11 minutos
2 min de leitura

Um estudo brasileiro sobre canabidiol e sociabilidade no autismo, divulgado em janeiro de 2026 chamou atenção por relatar melhora na sociabilidade de crianças autistas que usaram canabidiol. Antes de qualquer conclusão, vale entender o que exatamente foi testado, o que os resultados realmente mostram, e o que o próprio time de pesquisa diz que ainda não dá para afirmar.


mulher loira segurando frasco do CBD

O que o estudo testou?


O que a ciência diz: nível de evidência preliminar/emergente

É um estudo piloto, aberto, sem grupo controle e sem cegamento, com 30 participantes. Os resultados são promissores, mas ainda precisam de confirmação em estudos maiores e controlados antes de embasar qualquer recomendação mais ampla.


A pesquisa foi conduzida por equipes da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina) e da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), com colaboração de pesquisadores da McGill University, no Canadá, e da Università di Chieti-Pescara, na Itália. Participaram 30 crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista, de 2 a 15 anos, acompanhados por 24 semanas e usando canabidiol em proporção aproximada de 14 partes de CBD para 1 de THC. Nove em cada dez participantes completaram o acompanhamento até o fim.


Canabidiol e sociabilidade no autismo: o que os pesquisadores relataram

Os responsáveis pelo estudo descreveram melhora em sociabilidade, comunicação e comportamentos repetitivos, além de redução da agitação, com crianças mais calmas e mais receptivas à terapia. Um dado chamou atenção em especial: 16 das 30 crianças reduziram ou descontinuaram outras medicações que já usavam (incluindo risperidona), sempre com acompanhamento médico dentro do próprio estudo. Os efeitos adversos relatados foram leves e temporários, como aumento de apetite e agitação pontual.


Por que isso ainda não é uma confirmação científica

Um estudo sem grupo placebo não permite descartar efeito placebo, expectativa dos pais e cuidadores, ou a evolução natural de cada criança ao longo de seis meses. Com apenas 30 participantes, também não é possível generalizar o resultado para todas as pessoas com autismo. O próprio pesquisador responsável foi direto sobre esse ponto: segundo ele, ainda faltam estudos com um número maior de pessoas, e o tratamento continua em fase de testes.

Isso não torna o achado sem valor. Significa que ele é o tipo de resultado que justifica investir em estudos controlados maiores, não uma recomendação clínica já estabelecida.


mão segurando frasco com cor amarelada


O que isso significa, na prática, para quem já trata autismo com acompanhamento médico?

Nada muda na decisão individual de cada família enquanto esse nível de evidência for o que existe hoje. Reduzir ou substituir qualquer medicação em uso é uma decisão que depende sempre do médico responsável, nunca de um estudo piloto isolado, por mais que os resultados preliminares sejam encorajadores.


Informação também é parte do tratamento

Pesquisas preliminares como essa movimentam uma área que ainda tem poucas respostas fechadas para o autismo. Na ABINS, acreditamos que explicar com transparência o que já é resultado e o que ainda é hipótese ajuda famílias a acompanhar essa ciência em construção sem criar expectativas que a própria pesquisa ainda não sustenta.

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