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Cannabis medicinal na prática médica: o desafio da prescrição no Brasil

Nos últimos anos, o debate sobre cannabis medicinal no Brasil avançou de forma significativa.

Falamos sobre regulação, protocolos, acesso pelo SUS, produção nacional e novas rotas de tratamento. O tema ganhou espaço técnico, político e social.

Mas existe um ponto essencial que ainda recebe pouca atenção.

Quem, de fato, está preparado para prescrever esse tratamento?

mulher loira segurando frasco do CBD

A ciência avançou. A prática clínica ainda tenta acompanhar

A literatura científica sobre cannabis medicinal já apresenta evidências relevantes em algumas condições, especialmente epilepsia refratária, espasticidade e dor crônica.

Ao mesmo tempo, o Brasil avançou em termos regulatórios, criando caminhos de acesso por importação, associações e produção nacional em desenvolvimento.

Mas, na prática, o acesso ainda é limitado.

E o motivo não está apenas na lei.

Muitos médicos já tiveram contato com a prescrição. Poucos mantiveram a prática

Os dados mais recentes ajudam a entender melhor esse cenário.

Segundo levantamentos do Anuário da Cannabis Medicinal 2025, da Kaya Mind, e do relatório Panorama de Mercado da Cannabis Medicinal 2025–2026, da Close-Up International, cerca de 61 mil médicos brasileiros já prescreveram cannabis medicinal ao menos uma vez.

Considerando o universo de mais de 635 mil médicos em atividade no Brasil, isso representa aproximadamente 9% da classe médica.

À primeira vista, o número pode parecer expressivo.

Mas existe um detalhe importante.

A prescrição recorrente ainda está concentrada em uma parcela muito menor dos profissionais.

Os próprios levantamentos mostram uma alta rotatividade entre prescritores. Segundo a Close-Up International, mais de 24 mil médicos que anteriormente prescreviam deixaram a prática no período analisado, enquanto novos profissionais passaram a entrar nesse cenário.

Isso revela um ponto importante: o interesse existe, mas a consolidação clínica ainda é limitada.

A formação médica ainda não acompanhou essa realidade

Grande parte dos médicos brasileiros nunca teve contato estruturado com cannabis medicinal durante a graduação.

Mais do que isso: o próprio sistema endocanabinoide, fundamental para entender a atuação do CBD e de outros canabinoides, ainda é pouco explorado em muitas faculdades de medicina.

Isso não significa resistência do profissional.

Mas revela um descompasso entre a evolução da prática clínica e os modelos tradicionais de formação médica.

A medicina evolui constantemente. Quando a formação não acompanha esse movimento, surgem insegurança, dificuldade de padronização e baixa continuidade na prática clínica.

O resultado é previsível

Diante desse cenário, muitos médicos acabam tendo apenas um contato inicial com a prescrição, mas não incorporam a cannabis medicinal de forma recorrente na rotina clínica.

Não necessariamente por desacreditar do tratamento.

Mas, muitas vezes, pela ausência de formação estruturada, suporte técnico e segurança prática.

Sem conhecimento aprofundado sobre farmacologia dos canabinoides, titulação de dose, interações medicamentosas e acompanhamento terapêutico, a tendência natural é que a prática não se consolide.

E isso gera um efeito direto no acesso.

O tratamento existe.

Mas ainda não chega de forma ampla e consistente para muitos pacientes.

Não basta ampliar o acesso sem ampliar a formação

O Brasil está construindo caminhos importantes para a cannabis medicinal.

Protocolos clínicos, novas regulamentações e discussões sobre produção nacional mostram que o setor está evoluindo.

Mas existe um limite claro para esse crescimento.

Não adianta ampliar as rotas de acesso se não houver profissionais preparados para conduzir esse tratamento com segurança.

O acesso não depende apenas da existência do produto.

Depende também da capacidade do sistema de transformar conhecimento em prática clínica.

Um movimento que já começou

Apesar dos desafios, os dados também mostram um avanço importante.

Mais de 38 mil profissionais iniciaram prescrições no último ciclo analisado pela Close-Up International, indicando que o interesse médico continua crescendo.

Isso mostra que a cannabis medicinal deixou de ser um tema periférico dentro da saúde.

Ela já faz parte da prática clínica contemporânea.

O desafio agora é garantir que essa evolução seja sustentável.

O papel da formação daqui para frente

Se o objetivo é ampliar o acesso com segurança, o próximo passo é inevitável: investir em formação.

Isso envolve aproximar médicos da evidência científica, ampliar a educação continuada e integrar temas como sistema endocanabinoide e terapias canabinoides à formação acadêmica.

Sem isso, o crescimento da cannabis medicinal continuará limitado, independentemente dos avanços regulatórios.

O futuro do acesso passa pela educação médica

A cannabis medicinal já deixou de ser apenas uma discussão teórica.

Ela é uma ferramenta terapêutica real e cada vez mais presente na prática clínica.

Mas o acesso ainda depende de um fator essencial: profissionais preparados para conduzir esse cuidado com segurança.

Hoje, talvez o principal desafio não seja mais despertar interesse médico.

Seja sustentar formação, confiança clínica e continuidade na prática terapêutica.

Informação também é responsabilidade

Ampliar o acesso à cannabis medicinal não significa apenas abrir caminhos para o paciente.

Significa também garantir que existam profissionais preparados para transformar esse acesso em cuidado real.

A ABINS acredita que o próximo grande avanço da cannabis medicinal no Brasil não será apenas regulatório.

Será educacional.

Leis e protocolos abrem o caminho.

Mas é na prática clínica que o acesso realmente acontece.


mão segurando frasco com cor amarelada


Um movimento que já começou

Apesar dos desafios, os dados também mostram um avanço importante.

Mais de 38 mil profissionais iniciaram prescrições no último ciclo analisado pela Close-Up International, indicando que o interesse médico continua crescendo.

Isso mostra que a cannabis medicinal deixou de ser um tema periférico dentro da saúde.

Ela já faz parte da prática clínica contemporânea.

O desafio agora é garantir que essa evolução seja sustentável.

O papel da formação daqui para frente

Se o objetivo é ampliar o acesso com segurança, o próximo passo é inevitável: investir em formação.

Isso envolve aproximar médicos da evidência científica, ampliar a educação continuada e integrar temas como sistema endocanabinoide e terapias canabinoides à formação acadêmica.

Sem isso, o crescimento da cannabis medicinal continuará limitado, independentemente dos avanços regulatórios.

O futuro do acesso passa pela educação médica

A cannabis medicinal já deixou de ser apenas uma discussão teórica.

Ela é uma ferramenta terapêutica real e cada vez mais presente na prática clínica.

Mas o acesso ainda depende de um fator essencial: profissionais preparados para conduzir esse cuidado com segurança.

Hoje, talvez o principal desafio não seja mais despertar interesse médico.

Seja sustentar formação, confiança clínica e continuidade na prática terapêutica.

Informação também é responsabilidade

Ampliar o acesso à cannabis medicinal não significa apenas abrir caminhos para o paciente.

Significa também garantir que existam profissionais preparados para transformar esse acesso em cuidado real.

A ABINS acredita que o próximo grande avanço da cannabis medicinal no Brasil não será apenas regulatório.

Será educacional.

Leis e protocolos abrem o caminho.

Mas é na prática clínica que o acesso realmente acontece.

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